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Polêmica envolvendo os esportes equestres, parte IV

Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade, ao João Eder, por estar nos dando espaço em uma das páginas mais acompanhadas referente ao laço comprido. É uma honra poder esboçar nosso entendimento no assunto que hoje tormenta todos os competidores e amantes dos esportes equestres. Recentemente, há uma semana apresentei meu Trabalho de Conclusão do Curso de Direito da Faculdade IMED, na cidade de Passo Fundo, aonde fui aprovado com o tema “A MANIFESTAÇÃO CULTURAL DA PROVA DE TIRO DE LAÇO EM CONTRAPONTO AO DIREITO DOS ANIMAIS”. E nessa entrevista, tentarei resumir para entendimento máximo sobre a legalidade dos esportes equestres, em especial ao que foi a minha pesquisa jurídica, o tiro de laço.

Após a tão discutida decisão do STF em julgar como inconstitucional a prática da Vaquejada, o tiro de laço foi um esporte também que foi polemizado sobre sua existência. Acompanhei vários protestos alegando também ao tiro de laço que essas práticas geram economia e empregam diversas pessoas na atualidade em âmbito nacional.
 Infelizmente, economia! Trabalho! Não são argumentos suficientes para legalização de tais provas equestres se tratá-las como cultura, manifestação cultural, movimento tradicionalista. Portanto, demonstrarei a legalidade tanto em caráter cultural ou quanto esporte.

            Independente de cultura, manifestação cultural, movimentos tradicionalistas, a cultura está prevista na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215, também presente na Constituição o direito dos animais, previsto no artigo 225, § 1º, VII. A Constituição Federal é a maior normal jurídica do país, e esta garante que direitos previstos que sofrem conflitos, neste caso a CULTURA e DIREITO DOS ANIMAIS, não tem hierarquização entre elas. Desta forma, quando houver conflito entre esses direitos deve utilizar o Princípio da Harmonização para conceber ambos direitos. Assim fica claro que os esportes equestres harmonizaram esses direitos, prevendo em suas leis a integridade física do animal nas provas que venham a ocorrer.



            Qualquer classificação que se usa no caráter cultural, essas práticas realizadas têm grande importância para caracterização da personalidade de um determinado povo. Povo este, que desde seus antepassados, através de seus hábitos, condutas morais, éticas se definiram. Especialmente falando no tiro de laço, esta atividade que ocorre desde o século XIX, identificou o povo do Rio Grande do Sul, e teve seu primeiro evento realizado em 1952 na cidade de Esmeralda. Os valores de uma cultura podem ser modificados e até mesmo excluídos conforme são vividos pela geração. O tiro de laço desde seu primeiro evento, vem sendo praticado e valorizado no estado do Rio Grande do Sul, e hoje reconhecido e praticado em quase todo âmbito nacional.

            A partir da Constituição Federal de 1988 ficou claro a garantia dos direitos dos animais. Referente a prova de tiro de laço, essa atividade teve regulamentação jurídica através da Lei 10.519 de 2002 sancionada pela Presidência da República. Todos as alegações que possam vir a ocorrer por parte de doutrinadores alegarem para proibir o esporte de tiro de laço, a Lei 10.519 garante esses direitos.
            Destaco uma decisão em 2015, no qual uma juíza do Estado do Paraná proibiu um evento de tiro de laço que se realizaria na cidade de Rosário do Ivaí. O Ministério Público do Paraná interpôs uma Ação Civil Pública pedindo a proibição do evento de tiro de laço.
 A juíza apresentou 3 motivos: 1) o evento que se realizaria poderia causar lesões aos animais; referente a este motivo não se torna eficaz uma vez que qualquer esporte os competidores estão expostos a virem sofrer lesões, o que ocorre também no laço, porém a atividade não tem como finalidade comprometer a integridade física dos animais. 2) Os animais deveriam ter reconhecimento mínimo a vida e a integridade física; a própria lei 10.519 garantem esses direitos mais precisamente em seu artigo 3º, inciso II, quando estabelece que os organizadores devem oferecer médico veterinário habilitado para dar toda assistência veterinária aos animais que precisarem de cuidados. 3) A juíza proibiu juridicamente o evento, pois os organizadores não respeitaram os artigos 3º e 6º da Lei 10.519/2002; porém a decisão da juíza foi correta, mas com base na lei dos rodeios que garante a legitimidade dos mesmos.


            Além desses 3 motivos da juíza, a mesma destacou que, em um esporte aonde um dos competidores não optou por participar, não é esporte! É equivocada a afirmação da excelência, uma vez que hoje são reconhecidos mundialmente como esporte, o polo equestre, as corridas de cavalos, e o hipismo, sendo esse último considerado como esporte olímpico.
            Se os rodeios não forem caracterizados como cultura devem ter atenção jurídica como esporte, uma vez que as atividades dos rodeios geram economia ao país e emprega milhares de pessoas. Destaco um Projeto de Lei, nº 213/2015 do Deputado Giovani Cherini (PDT-RS) que regulamenta os rodeios como atividade cultural popular brasileira. O projeto prevê toda a garantia a saúde animal e a integridade física, toda assistência médica aos competidores e ao público, uma vez que esses rodeios movimenta um público superior a 30 milhões de pessoas.
            Sobre as alegações dos juristas ambientalistas para proibir toda a pratica cultural com os animais, é importante destacar que todas as alegações para proibir, são garantidas nesses eventos, e quando não são, os eventos são modificados, reajustados para garantir todo o cuidado a vida animal.
É importante saber que todo o animal, independentemente de ter valor específico, este valor sofre modulações, aonde como exemplo, não é uma desonra a moralidade abater uma vaca para fazer um churrasco. O valor específico do animal o garante que não sofrerá maus tratos desde seu nascimento até o abatimento. Referente ao tiro de laço, tal atividade não se utiliza da força humana, portanto o animal (gado), quando sai do portão de saída e vai ao encontro do portão de chegada, ele age por instinto, e o boi por não ser capacitado de razão não sofre por antecedência. Então na prática do tiro de laço, os animais que estão participando não sofrem!
Recentemente, no dia 29 de novembro de 2016, o presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.364/16, que regulamenta o rodeio e a vaquejada, bem como a legitimidade das manifestações culturais, na qual a lei dentro das práticas o TIRO DE LAÇO está presente. Dessa forma, a partir da presente data, 29/11/2016, é LEGAL a prática dos rodeios em todo o âmbito nacional.
            O que falta é força jurídica por parte dos esportes equestres, aonde juristas com base em doutrinas, com bases jurídicas, com pesquisas da saúde e preservação dos animais que participam nesses eventos, defendam nossos esportes pois os que querem proibir esses eventos omitem muitos fatos que passam despercebidos pelo Poder Judiciário.
            E a questão que fica em geral da minha pesquisa, é que a questão NÃO É PROIBIR e sim a FISCALIZAÇÃO POR PARTE DO PODER PÚBLICO.
            É muito extenso o estudo feito, contudo espero ter ajudado a todos em suas dúvidas, em suas posições referente a este embate de direitos, e espero ter ajudado a todos!
 Agradeço ao Blog, pois tem fundamental importância sobre a questão, pois aproxima diversas pessoas, de diferentes estados do país, para que os ESPORTES EQUESTRES continuam a ser realizados, e a hipocrisia de certas pessoas não sejam superiores a esses eventos.
Obrigado João Eder, e estamos juntos nessa “disputa” para preservar o que amamos e praticamos, em especial o TIRO DE LAÇO!

HENRIQUE MACHRY, 22 anos, da cidade de Passo Fundo/RS, Concluindo curso de direito, e praticante de laço desde os 4 anos de idade. Conhecido nos rodeio pelos amigos como "Kata"

Resultados da 3º Festa Campeira da Cabanha Belino

Campeões do R$ 5 Mil
Neste final de semana aconteceu em Paulo Lopes – SC a 3º Festa Campeira da Cabanha Belino. Veja abaixo o resultado das provas campeiras:

Laçada de cavalos Crioulo – Nesta modalidade participaram 110 animais valendo R$ 5 Mil de prêmio. Sendo esta a modalidade mais almejada pelos competidores presente. Como novidade a final da mesma foi mesclada entre gado aspado e mocho. Após 35 voltas de laço, sendo a grande maioria em gado mocho saiu os campeões, sendo eles:

1º Alexandre Dutra - Imbituba/SC
1º Cazuza Campos - Imbituba/SC
1º Luiz Guilherme - Paulo Lopes/SC

Taça Dario Lino Individual – 2.500,00:
Nesta modalidade de animais comercializados pela Cabanha Belino, deu 19 voltas de laço para decidir o campeão, iniciando a mesma a exemplo da outra em gado aspado, e terminando em gado mocho. Campeão:

1º Benicio Warmling

Individual dos animais inéditos:
1º Silvio Neto com duas vidas
1º Daniel Cardoso
1º Felipe Matos

Dupla Força A – R$ 2 Mil:
1º João Agenor e Luiz Guilherme
1º Laudir Figueiredo e Dinarte Figueiredo



Dupla Força B:
1º Natanael Martins e Wagner Willian
1º João Carlos e Vitinho
1º Elton e Gabriel

Taça Cabanha Belino:
1º Gracilio Montibeller e Maycon Pacheco
1º Alexandre Dutra e Cazuza Campos

Parabéns a todos!

5º Rodeio Cabanha Quinhéca

Faltando menos de 90 dias, veja a programação completa do 5º Rodeio da Cabanha Quinhéca


Rodeio será realizado entre os dias 16 a 19 de Fevereiro de 2017, em Cachoeira do Sul – RS.

Como diz o patrão da entidade Alex Almeida: “Um rodeio para todos, sem frescura, sem raia curta, sem alongamento, no estilo antigo, laçar até quando o braço aguentar e o cavalo chegar. Essa é a filosofia da Cabanha Quinhéca.”

Evento atrai bastante espectadores e participantes. No ano passado foram 157 quintetos na modalidade principal, 785 laçadores, mais o público que lotou as dependências do parque.

Nesta próxima edição destaco a modalidade RAINHA DOS ARROZAIS, sendo essa em duas forças (A e B,) proporcionando uma chance maior de ganhar. As campeãs de cada força disputam o título de RAINHA DOS ARROZAIS 2017.
 
Outro ponto importante a ser destacado é o custo de se laçar o evento, em tempos de crise, ficando este num total de R$ 400,00 por pessoa, para participar das três provas oficiais, (laço trio, laço dupla sexta, em ambas duas inscrições, dupla do rodeio e laço equipes.) Sendo um preço bom para o tamanho da premiação em disputa (mais R$ 65.000,00.)



Continua também a tradição de oferecer um COSTELÃO ASSADO NO FOGO DE CHÃO, (sábado meio dia,) mais uma cerveja ou refrigerante para os laçadores inscritos nas equipes. Sendo está uma confraternização entre os participantes do evento.

E como cereja do bolo será o laço equipes contando com uma premiação diferenciada.

Quinhéca 2017, tem tudo pra ser uma excelente festa!!

Veja abaixo a programação completa:

23º Rodeio Crioulo CTG Pedro Raimundo

Campeões laço equipes força A
Terminou ontem por volta das 23h o 23º Rodeio Crioulo do CTG Pedro Raimundo, em Criciúma – SC. Desde de quinta estive participando do evento que contou com a presença de 127 equipes, em torno de 508 laçadores.

Crônica do evento: O Rodeio teve erros e acertos como tudo na vida, e vou expor aqui para nossa reflexão. Vamos lá:

Cancha A e B
Duas canchas – É uma ideia ousada e inovadora que precisa de ajustes. Não desqualifico essa ideia, desde que a programação seja planejada e executada com perfeição. O que não aconteceu nessa primeira edição. A realização de duas modalidades simultâneas ao mesmo tempo requer organização: Laço Taça Cidade (dupla) e Celebridade (individual) ao mesmo tempo foi um erro. Pois os mesmos laçadores estavam participando das duas modalidades, e com isso aumentou e muito o índice de retardatários em ambas as canchas. O que não é bom! 

Final das equipes força A em uma cancha, e força B em outra, foi um acerto, bem como a realização de provas secundarias como: Pia, Guri, Patrão de Piquete, Pai e filho e filha, entre outras. Dessa forma vi uma luz no fim do túnel. De qualquer forma a ideia é ousada, inovadora e principalmente polêmica.

Tigres do Laço – Já o Tigres do Laço em duplas, é um acerto dos promotores. E o número de inscrições mostrou isso, preenchendo todas as 80 fichas que foram disponibilizadas. Como atrativo a modalidade tinha R$ 10 Mil de prêmio. Como erro cito a realização da mesma a noite principalmente a final, sendo essa uma das principais laçadas do evento. Outro ponto negativo foi ter reinscrição e retardatários da mesma domingo à tarde. Penso que domingo é dia de final.

Laço Celebridades (Individual) – A final em gado mocho ontem a noite foi um espetáculo, os laçadores envolvidos na disputa deram um verdadeiro show de técnica e qualidade.

Laço Equipes – A principal modalidade do evento, foi tranquila e bem conduzida pela casa. O prêmio de R$ 20 Mil pago em dinheiro aos vencedores é uma ótima premiação.

Por fim, agradeço a hospitalidade dos promotores do rodeio, digo que o CTG Pedro Raimundo tem um parque excelente e estruturado, sendo um dos maiores do estado com cerca de 40 hectares. Vejo um grande potencial nessa entidade. Com certeza mais eventos virão, e estaremos lá de certeza.

Veja abaixo os campeões do 23º Rodeio Crioulo Nacional:

Laço Equipes Força A – R$ 20 Mil:
1º Beco, Murilo Esmeraldino, Vitor Fernandes e Felipe Esmeraldino - CTG Beira Rio
1º Raniely Preve, Evandro Carlos Filho, Ramon D”avila e Gracilio Montibeller - CTG Os Praianos
1º Thiago Souza, Geovani Velho, Leonardo Jacob e Péricles Molina - CTG Campestre Catarinense
1º Josué Souza, Renan Simão, Juninho Simão e Ederson Ramos - CTG Do Preto

Tigres do Laço – R$ 10 Mil:
1º Lucas Miguel e Regis Ramos
1º Juninho Simão e Ederson Ramos

Celebridades Individual – R$ 3 Mil:
1º Elton Fernandes – Leopoldo – Gracilio Montibeller – Renan Simão e Fernando Sartori

Taça Tratasul – 1 Potro:
1º Raniely Preve e Gracilio Montibeller
1º Lucas Miguel e Regis Ramos

Laçada da Marca Cabanha Naco do Estivinha:
1º Josué Souza com duas vidas
1º Silvio Neto

Taça Ademir Gonçalves – R$ 3 Mil para 10 ou menos:
Não lembro de todas galera, parou em 9. Segue algumas que lembro:
1º Alberto Cruz e Gabriel Cruz
1º Thiago Souza e Péricles Molina
1º João Eder e Silvio Neto
1º Rafael Godinho e Benicio Warmling
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Destaques dentro de cancha: O primeiro destaque vai para os melhores laçadores do 23º Rodeio, sendo eles: Juninho Simão e Ederson Ramos, campeões das duas principais laçadas do evento. Gracilio Montibeller que venceu três laçadas (Taça Tratasul, Equipe força A e Celebridades) também laçou muito. Finalizo esse quadro com Josué Souza, campeão do carro das equipes e da marca com duas vidas, jogando 48 armadas sem errar, em aproximadamente uma hora e meia de disputa e iniciando a laçada somente com 6 competidores, sob vento forte e gado ligeiro.

O segundo destaque vai para o narrador Elizandro Souza, o homem é tocador. Um dos melhores da atualidade.

Parabéns a todos!!

Polêmica envolvendo os esportes equestres – parte III

Rodeio: O Choque da Cultura Urbana com a Rural

A questão dos rodeios se transformou em uma questão filosófica. O rápido surgimento de uma sociedade urbana levou a um choque com a sociedade milenar rural. Me refiro ao choque da cultura urbana com a rural, que atinge em cheio os rodeios. É uma questão cultural, mas principalmente de ótica, de lógica e de ética.

Ocorre que a sociedade, a partir do surgimento de uma cultura urbana, não deixou de ser rural. Ambos os grupos têm o direito de definir seus valores. Terão de conviver em harmonia.

Hoje quem usa bombacha tem orgulho do hábito, estilo e não aceita mais ser ridicularizado, taxado de grosso - como acontecia na metade do século passado – segundo relatos do Paixão Côrtes. Senhores intelectuais ativistas, o homem do campo, ou quem gosta da cultura rural, não é o Jéca Tatu.

Sim, já houve transformações dos modos de vida das civilizações. Sendo assim, nesta análise, cabe lembrar Alvin Toffler. O referido autor escreveu o livro ‘A Terceira Onda’, que consiste no entendimento de que a primeira onda representa à sociedade agrícola ganadeira, simbolizada pela azada, a segunda onda à sociedade de revolução industrial, simbolizada pela corrente de montagem, e a terceira onda é a sociedade do conhecimento e da informação, simbolizada pelo computador.

Os rodeios, obviamente, vêm da primeira forma de sociedade, a ganadeira. Mas há algo a ser destacado nesse sentido, a referida sociedade não deixou de existir, naturalmente sofreu transformações e veio a se tornar o que pode ser chamado de cultura rural.
A cultura urbana remete a uma configuração que homogeniza este estilo de vida e se manifesta em todo mundo. Não é só o computador que é associado à sociedade da terceira onda, conforme coloca Toffler, é o Shopping Center, é a Coca cola, o McDonald's, o Vídeo Game, o cinema, etc. Mas há um porém: Nem todas as cidades contam com essas opções e além disso, não representam uma preferência universal.

Uma visão popular envolve pessoas urbanas a manterem relações com animais de pequeno porte e pessoas rurais, com animais de grande porte. As rurais estão no ambiente natural dos animais, o campo, e as urbanas em uma criação do ser humano, a cidade.

A questão é filosófica, quando verificamos existir a ótica de dois grupos sociais a respeito do que é, ou não é aceitável. Quem gosta de Rodeio e gado não vê nenhum mal no que faz, ao contrário dos ativistas que entendem como uma agressão, ou seja, implica em maus tratos. É uma questão de opinião, resta saber qual se consolidará.

Os ativistas levantam a questão da consciência animal. Desenvolvem uma relação de igualdade com os animais. Em não raros casos, colocam seus bichos de estimação na condição de filhos.



Tanto é uma questão de opinião, que basta imaginar como seria se os animais realmente fossem conscientes e passassem a se comunicar de forma direta e clara com os humanos, se falassem a mesma língua. Crie em hipótese como seria um boi, um porco ou uma galinha, clamando por suas vidas em direção ao frigorífico, argumentando na mesma linha dos ativistas. A verdade é, que cientificamente, um animal se comunicar diretamente com um humano, desenvolvendo um debate filosófico como o dos ativistas, é utopia.

Por outro lado, não é aceitável manter os rodeios sem nenhuma reflexão a respeito da forma que estão sendo realizados. Refletir, colocar sob análise, é algo positivo e inevitável nos dias de hoje. Os próprios organizadores e tropeiros mudaram alguns procedimentos com a intenção de zelar por seu patrimônio e evitar prejuízos. A questão do bem estar animal, mesmo como uma estratégia de gestão, também toma corpo entre os promotores de rodeio demonstrando que se pensa em como proceder com os animais.

Contudo a comunidade produtora dos Rodeios vai ter que se acostumar com os ataques dos ativistas. Não é mais possível imaginar um mundo rural sem oposição, ela surgirá em todos os campos. Não adianta mais querer se transformar em um soldado farroupilha que o campo de batalha é outro. Pensar em tradição ignorando o mundo urbano levará a situações desconfortáveis, como a atual.

 Chegou a hora do pessoal dos rodeios pensarem mais, produzirem mais no campo intelectual, principalmente os ligados a campeira, pois as pesquisas até o momento foram predominantemente artísticas, tendo em vista o MTG como exemplo. Até pouco tempo atrás, o Rodeio era manifestação cultural legítima pelo simples fato de acontecer, atualmente surgem normativas e leis de todos os lados.

A tradição é um meio primitivo de ensino, de transmissão de saberes como os campeiros. As comunidades produtoras de tradições, geralmente, são compostas por pessoas simples. Pouco se pensou sobre enfrentar um debate como o relativo à manutenção dos rodeios e pouco se estudou para isso. Os ativistas levaram essa batalha para um campo pouco estudado pelos promotores de rodeio. Se falou muito em cultura, em geração de empregos, mas pouco em como lidar com esse choque cultural. Subestimaram os ativistas.

Os promotores de rodeio terão que se preparar para esse debate. Não podemos permitir que essa questão se transforme em uma disputa de tapetão.

Os ativistas não podem se valer de brechas em leis que foram criadas sem o respaldo de um debate como o que está acontecendo agora para acabar com os rodeios. Essa questão envolve debates mais complexos.

Em cultura e reconhecimentos de esporte, algo que não pode ser ignorado, é a anuência. Os ativistas não têm expressão nesse debate se comparada a vontade deles com a da comunidade produtora das provas eqüestres. O que se apresenta à sociedade pelos ativistas é apenas uma ótica com uma frágil e oportunista base jurídica que não sensibiliza a maioria das pessoas.

O que representa nitidamente um ataque, é apresentar o Rodeio como uma atividade de marginais. Os ativistas são novos atores que tem a função de evitar excessos e barbáries, mas não são mais importantes que qualquer ator do meio dos rodeios. Não se pode aceitar que seja dada a eles maior importância na sociedade do que é dado a um vaqueiro ou laçador. Uma vez a capoeira foi marginalizada no Brasil, hoje é Patrimônio Cultural Imaterial.

A ética entre esses grupos ainda está em construção. Por enquanto são somente argumentos soltos e radicais, principalmente por parte dos ativistas. Não é possível que um ativista compare a economia dos rodeios ao mercado de drogas no intuito de dizer que ambos geram empregos, mas que são ilegais e injustificáveis, como assisti em um programa de TV. Um ser humano não pode ser menos importante que um boi. O que está claro neste comparativo, é que é mais fácil enfrentar promotores de rodeios do que traficantes. Se vamos pensar em evolução da sociedade, vamos eleger prioridades.

Há muitos acidentes com humanos, isso é fato. Nem todas as pessoas trabalham no que gostam, mas por dinheiro, por necessidade. Existem pessoas que se drogam para trabalhar. O mal do século, e a maior causa de desligamento do trabalho, será a depressão. O ser humano é submetido a situações que lhe estressam, lhe machucam e causam danos psicológicos. A alegação de que os animais são obrigados a procedimentos, é filosoficamente discutível e foge do campo da ética. A questão é que se o ser humano se obriga a executar algumas tarefas, os animais também podem ser obrigados, se respeitados os seus limites e considerada uma proporcionalidade com os limites humanos.
A lógica do tropeiro é não esgotar seu boi, é preservar seu patrimônio evitando prejuízos, salvo exceções de comportamentos reprováveis. O que pode ocorrer em um procedimento padrão é um acidente.

A lógica do bom profissional, e aí me refiro ao patrão e ao empregado, é trabalhar com segurança, porém ambos estão vulneráveis ao imprevisto.
O atleta, mesmo acompanhado e bem orientado está sujeito a acidentes.

Esse choque da cultura urbana com a rural, provocado por ativistas, ainda não tem força suficiente para mudar uma sociedade de forma tão radical. O que se faz no campo, ou nos rodeios, não incomoda a grande maioria da sociedade urbana. Não existe justificativa plausível para interferir de forma tão radical nas vidas das pessoas que são ligadas ao campo pelos rodeios. A questão dos acidentes e lesões é inerente a qualquer atividade, até um auxiliar administrativo pode levar um choque em um escritório.

Quando se analisa uma questão como essa, é muito difícil resolvê-la de forma pontual. Tem todo um contexto histórico a ser avaliado. Em um debate como este haverá réplica, tréplica, um bate rebate incessável. Tem que ser levado em conta a construção de uma cultura, e que esta acontece em um contexto social, neste caso, na contemporaneidade, como é o caso da cultura rural. Não é simplesmente mudar o Rodeio por conta de uma nova visão amparada por mecanismos jurídicos, há elementos basilares que devem ser respeitados, como a identidade cultural de um povo e a sua forma de vida. Mundo a fora serão encontradas culturas com os mais diversos hábitos.
Não nos cabe julgar a cultura de um determinado povo e sim aceitá-la, tentar entendê-la.
No caso do Brasil, a identidade cultural é formada por um grande mosaico. Definir o que é relevante em termos de cultura levará a um processo seletivo que possivelmente resultará em homogeneização, algo contraditório em tempos que se defende diversidade. Assim, vale preservar o que nos diferencia como povo e, que muitas vezes representa o sustento das diversas comunidades produtoras das manifestações culturais brasileiras.
Não podemos permitir que a cultura rural e o que a representa seja atacado sem nos preparamos.

Já existem posicionamentos questionáveis, como o de empresas estatais que não patrocinam eventos que envolvem animais. No caso das empresas privadas é tolerável, mas quando se trata de empresas públicas, não, já que a nação é composta por todos os grupos culturais. Esse posicionamento demonstra que nessas empresas não têm representantes dos interessados em rodeios, o que é injusto. As pessoas que compõe a comunidade produtora da manifestação cultural rodeio são tão donas das estatais quanto qualquer outra.

O Rodeio não é uma manifestação cultural menos importante do que as que não envolvem animais. Portanto, o laçador não é menos importante que o capoeirista, do que o sambista, etc.
A comunidade produtora do Rodeio já deveria ter se manifestado sobre essa questão dos patrocínios das estatais, antes dos ataques dos protetores dos animais. Esses espaços tem que ser solicitados por direito, o mundo rural tem que buscar ocupar posições de liderança.
Há pelo menos dez anos a legislação referente aos Rodeios vem mudando sem a menor preocupação por parte da comunidade produtora da manifestação cultural Rodeio. Não há uma participação ativa no sentido de mostrar a importância socioeconômica da atividade e de defender a sua importância na sociedade, que está passando a ser vista somente como urbana.

Enquanto isso, comunidades produtoras de manifestações culturais como a do Queijo Minas, Patrimônio Imaterial do Brasil, vêm buscando abrandar normas sanitárias com a intenção de viabilizar o comércio do queijo artesanal, como forma de manter viva a tradição e a renda das famílias envolvidas.

Promovo essa reflexão que envolve o reconhecimento como patrimônio imaterial há quase dez anos no Rio Grande do Sul. Ou seja, muito antes da PEC 270/2016, que visa preservar os rodeios, vaquejadas e expressões artístico-culturais decorrentes, como patrimônio cultural imaterial brasileiro, eu já trabalhava nesse sentido. O laço já poderia ter sido reconhecido como patrimônio imaterial há bastante tempo. Quando o MTG me criticava sobre o reconhecimento como esporte, ignorava que paralelamente, eu buscava o reconhecimento como Patrimônio Imaterial do Brasil. Por várias vezes declarei em ofício encaminhado à presidência do referido Movimento, que eu estava buscando para o laço, o maior reconhecimento que poderia ser obtido no campo da cultura, que eu estava fazendo o maior trabalho de salvaguarda possível. Essa soberba dos dirigentes do MTG, em achar que sabiam tudo de tradição, contribuiu em muito para aumentar ameaça aos rodeios.
Essa defesa se tornou mais forte a partir da fundação da Federação Gaúcha de Laço – FGL. Tal entidade se tornou uma entidade com legitimidade para defender o laço, se engajando na busca do reconhecimento do laço como esporte e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Buscar o reconhecimento do laço como patrimônio imaterial, envolve fazer com que reconheçam a importância dessa prática diante das demais no cenário cultural nacional. Nós temos que fazer com que reconheçam que não somos menos importantes do que qualquer outro produtor de manifestação cultural, o que é uma verdade.
O laço faz parte da economia da Cultura e do Esporte. Gera empreendimentos e um mercado de entretenimento, logo, um impacto socioeconômico que justifica a sua função social, tão relevante quanto a sua importância cultural.

O laço tem um fim pedagógico, um fim educacional que se manifesta no processo de Tradição, o qual possibilita a transmissão de saberes, envolvendo valores, como a paixão pelo cavalo e pelo gado. Somos apaixonados por boi e cavalo, e somos preparados para essa paixão desde que nascemos. Somos educados para respeitar e venerar esses animais.  Essa é a formação de um verdadeiro membro da comunidade produtora da manifestação cultural laço.

Fui tropeiro, além de pesquisador da temática laço. Me criei cuidando de gado, não admito maldade. Não sou mercenário e nem pouco esclarecido para admitir qualquer argumentação que não seja muito bem fundamentada. Conheço a realidade da cultura urbana e da rural. A nossa Cultura, a tradição campeira, é secular e é menos violenta que a Cultura urbana que gera milhares de assassinatos ao ano.

Vai ter gente criando seus filhos para não gostar de rodeios, apresentando novos princípios e hábitos, em resumo, porque não gosta. E vai ter gente mantendo a tradição, através da transmissão de saberes seculares aos seus filhos, não vendo mal algum nisso.
No tocante à lógica, cada um vai apresentar a sua e, em uma primeira instância, os fundamentos surgirão por conveniência de ambas as partes. Em suma, cada um tem seu modo de pensar sustentado por princípios. Da mesma forma, cada um tem a sua importância e espaço. Cada um pensa do seu jeito e acredita no que acha certo. Argumentos não faltarão de ambos os lados.

Todavia, tudo é uma questão de ideologia, que acaba no campo filosófico. Milhões de pessoas gostam de rodeio e não vêem mal nisso, outras pensam que há, e é isso. Surgiu uma nova forma de pensar sobre os rodeios e mesmo que essa não tenha bases muito sólidas, ela agora existe. O que não se mostra tolerável e democrático, é um querer o fim do outro, como desejam os ativistas. A solução é estar intelectualmente preparado para debates filosóficos, para que esse problema não ultrapasse o campo da filosofia. Essa exposição pode ser simplista, mas é o que acontece.



Por fim, cabe a comunidade produtora da manifestação cultural rodeio lutar pelo que acha certo, defender o seu modo de vida rural que permanece a milênios sendo visto como algo salutar. Não há maldade, se considerados os bons princípios que devem nortear a comunidade rural.

Eduardo Fonseca Alves
Pesquisador da Temática Laço
Idealizador da Federação Gaúcha de Laço – FGL
Atual Diretor Cultural da FGL
Laçador

Confira os vencedores do 31º Rodeio Crioulo do CTG Laço Velho da Saudade

Campeões laço equipes força A
Terminou hoje na cidade de Rancho Queimado/SC, o 31º Rodeio Crioulo do CTG Laço Velho da Saudade. 94 equipes participaram da festa. Na Taça em duplas de pelotões foram 480 inscrições.
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Crônica do Evento: Foi um rodeio tranquilo, as provas campeiras transcorreram com naturalidade e foram bem conduzidas pela casa, principalmente os horários. Finais das principais laçadas domingo à tarde, e termino do rodeio antes do anoitecer. A hospitalidade dos integrantes do CTG com os visitantes também foi excelente. Falhas existiram, mais não por má fé dos promotores. Confira abaixo os vencedores do rodeio:

Laço Equipes Força A:
1º Ricardo Norberto, Telmo Martins, Evandro Carlos Filho e Rafael Sperandio – CTG Os Praianos

Laço Equipes Força B:
1º Everaldo Santos, Ademar Simiano, Maneca e Gustavo Lohn – CTG Boca Da Serra
1º Diogo Stang, Ulisses Souza, Lucas da Cunha e Andrey de Souza – CTG Boca da Serra

Taça Cidade – R$ 5 Mil:

1º Gabriel Canaro e Bruno Farias – CTG Boca da Serra
1º Rafael Godinho e Benicio Warmling – CTG Faz. Silva Neto
1º Diogo Stang e Andrey de Souza – CTG Boca da Serra

Taça Patrocinadores (Cajuru e Dinastia) – 1 Potro:

1º João Eder e Silvio Neto – CTG Faz. Silva Neto
1º Daniel Cunha e José Felipe – CTG Os Praianos

Laço Seleção de CTG:


1º Recanto do Peão – Antonio Carlos/SC.




Parabéns a todos!!

Polêmica envolvendo os esportes equestres – Parte II

Na semana passada Leandro Baldissera deixou sua reflexão aqui na página, expondo sua opinião em defesa da pratica dos esportes equestres. Nesta o convidado é Maico Misiuk, de São José – SC. (Maico é Narrador de rodeios a 14 anos, tem 3 CDs gravados, é colunista da Revista De Rodeio em Rodeio, e apresentador do CLC na TV, primeiro programa de Laço Comprido da televisão.)

Com a palavra Maico Misiuk:

Primeiramente quero agradecer ao Blog falando de laço na pessoa do Edinho por nos convidar a dar a nossa opinião sobre esse assunto, e parabenizar por dar espaço para esclarecer muitas coisas que aparece nas mídias sociais, que são equivocadas ou no mínimo incompletas.

Vamos a uma situação REAL nada de suposição, um FATO. Em todo rodeio ou evento equestre é obrigatório ter uma equipe de médicos veterinários de plantão, que seja responsável pelo mesmo, em um evento de médio para grande porte, ingressam no local cerca de 800 a 1.000 animais para competição, todos esses animais SAUDÁVEIS, pois para entrar no recinto todos apresentam exames de anemia, morno e influenza. Ali já começa a fiscalização, em algumas regiões do país é exigido além desses exames. Pois bem, para esses cerca de 1.000 animais é disponibilizado uma média de pelo menos  2 veterinários, 24h por dia, sendo custeado pelo promotor do evento, para controlar toda documentação de exames e se por acaso algum eventual incidente ocorrer. Aí vai meu questionamento: Será que para cada 1.000 cidadãos brasileiros SAUDÁVEIS existem pelo menos 2 médicos 24h de plantão? Caso alguém necessite sem custo? Quanto tempo leva em média no Brasil para conseguir uma consulta em um posto de saúde? Se surpreendeu com a resposta. Poisé...

Cochos com águas, proteção para o frio, irrigação para os animais, juízes pagos para observar caso aconteça algum incidente, caminhões e trailers adaptados para o transporte dos animais, isso são apenas alguns exemplos de coisas que existem a anos nos rodeios. Pois é, sei o que você está pensando.... PORQUE NINGUÉM DIVULGA ISSO?? Só agora que a água bateu? Estamos fazendo nossa parte, o que falo é uma CONSTATAÇÃO, não é uma suposição. Os animais de rodeios e provas equestres vão MUITO BEM OBRIGADO, eles tem estadia própria que muitos seres humanos que vivem em baixo da ponte ou em locais inadequados não tem. Eles tem alimentação balanceada por serem animais atletas que muitos não tem. Quantos seres humanos passando fome nesse mundo? Pra completar eles tem assistência médica veterinária. 

Onde quero chegar: Já pensou se essas ONGS que estão atrás de achar algo na Vaquejada, Rodeios e Provas Equestres, gastassem seu tempo, energia, e seu dinheiro, para proteger e dar suporte ao SER HUMANO, será que eles não estariam fazendo um bem realmente real a sociedade?? A criminalidade iria diminuir, a inclusão social aumentar e muitas outras coisas benéficas.

Quer dizer então que é tudo mil maravilhas e que não existe maus tratos a animais?? Não é isso, deve existir sim, tem pessoas irresponsáveis nesse mundo, porém no RODEIO e provas equestres com a estrutura que existe com alguns exemplos que colocamos aqui, olha meus amigos, lhes garanto, que se tem um lugar que os animais estão muito bem cuidados e PROTEGIDOS é ali, nas provas equestres.

Minha sugestão, se essas ONGS tem realmente a intenção de colaborar, ajudar, um diálogo estreito, aberto, com os promotores de eventos e órgãos como MTG, ABCCC, ABQM, FEDERAÇÃO GAÚCHA, entre outras, é uma obrigação. Mas um diálogo produtivo, aberto, de pessoas de bom senso e realmente interessadas em evoluir o nosso meio no qual convivemos, e que movimenta uma economia e uma sociedade enorme.

Um cavalo gera 7 empregos diretos, viajo esse Brasil inteiro e conheço vários municípios pequenos e médios onde o maior evento da cidade é o rodeio, ou seja, é o final de semana que eles mais arrecadam em seus comércios, e geram fonte de renda. Existe um lado social muito grande nos rodeios, temos hoje dentro do Laço comprido crianças a partir de 3 anos de idade participando, jovens e adolescentes que sabe lá onde estariam se não tivesse seu tempo ocupado, laçando e convivendo num ambiente familiar, que tem regras, usos e costumes a serem cumpridos e um zelo enorme pelo animal. Aí temos que ouvir e ler coisas de pessoas totalmente desinformadas.

A minha preocupação é com as pessoas que não sabem da verdade, do que se passa nos rodeios e acabam "comprando" uma coisa totalmente fora da realidade, olham só um lado ou não tem acesso ao outro lado da moeda. Você que tem alguma duvida, lhes convido para conhecer nossos eventos, para visitar algum e ver como é realizado, conversar com as pessoas que estão envolvidas, lhes garanto que você sairá de lá enxergando o que realmente acontece no nosso meio!


Maico Misiuk - SÃO JOSÉ -SC



21º Rodeio Crioulo Nacional do CTG Cidade Azul

Campeões laço equipes Força A
Participei neste final de semana do 21º Rodeio Crioulo Nacional do CTG Cidade Azul, em Tubarão – SC. A festa teve início quinta dia 03 e terminou ontem dia 06, sendo quatro dias de rodeio sob tempo bom, muito agradável para os tradicionalistas.

Números do evento: 135 equipes na laçada principal em quartetos. Na Taça Vilson Torquato em duplas 450 inscrições. Na Taça em equipes aproximadamente 130 inscrições. Foi um bom rodeio.

Ressalto e enfatizo a estrutura do parque colocado à disposição dos visitantes, sendo o mesmo excelente. A organização das provas campeiras também foi impecável. Veja em seguida os acertos: Em nenhum dos dias houve laço após 01h da madrugada - As finais foram realizadas domingo, em horário nobre a partir das 15h. Nas finais de equipes foi selecionado e colocado pra correr um gado de médio porte, ligeiro. Fazendo assim com que as finais dessem no máximo duas voltas para decidir o campeão. Alias o vento que soprava forte também colaborou com esse aproveitamento fraco dos competidores. Por fim, o rodeio foi finalizado bem antes do anoitecer, por volta das 17h.

Veja abaixo os vencedores do 21º Rodeio Crioulo Nacional:

Laço equipes Força A:
1º Josué Souza, Eduardo Perdoná, Juninho Simão e Ederson Ramos
2º Flavio Guilherme, Raniely Preve, Alexandre Heen e Gracilio Motibeller
3º Neno Matos, Willian Mendes, Romolon Fernandes e Rids Junior

Taça Vilson Torquato:

1º Fabricio Matos e Diego Carvalho
1º Gabriel Braga e Felipe Nunes
1º Neno Matos e Rids Junior

Taça Itamar Sebastião Matos (Quarteto):
1º Rafael Godinho, João Eder, Silvio Neto e Benicio Warmling
1º Thiago Souza, Pericles Molina, Fabricio Matos e Diego Carvalho
1º Neno Matos, Willian Mendes, Romolon Fernandes e Rids Junior

Raspada em trio domingo:

1º Josué Souza, Juninho Simão e Ederson Ramos
1º Neno Matos, Willian Mendes e Rids Junior
1º Eduardo Tomasi, Erico Moraes e Eriton Moraes

Cancha de Laço


Parabéns a todos!!

Polêmica envolvendo os esportes equestres

 Na semana passada tivemos a manifestação dos vaqueiros em Brasilia – DF que reivindicava a legalização da Vaquejada, nesta temos uma liminar em Joinville proibindo provas com animais no CTG Chaparral. Hoje foi votado no senado o projeto de lei 24/2016 onde aprova a Vaquejada, Rodeios e Provas Equestres como cultura imaterial do Brasil. Aproveitando o tema o blog Falando de Laço desafia e abre espaço para pessoas importantes e influentes do meio do cavalo, avaliarem a situação e opinarem sobre o assunto.

Nesta primeira semana o convidado é o cowboy Leandro Baldissera, de Capão Bonito – SP - (Baldissera é agropecuarista, criador de cavalos de rodeio, competidor de várias modalidades de rodeio, com destaque na sela americana, onde foi 8 vezes campeão do Rodeio de Barretos – SP. Leandro também pratica e participa de provas de Laço Comprido, onde já foi campeão brasileiro do rodeio de campeões da (CBTG) no ano de 1999, em Ponta Porã – MS.)

Com a palavra Leandro Baldissera:

A VISÃO DO LADO DE DENTRO

Desde que o mundo é mundo existe os animais carnívoros e os herbívoros para que haja um total equilíbrio da natureza.

Hoje tem alguns seres humanos ditos como "veganos" que querem mudar a ordem das coisas, insistindo para que a humanidade não tenha mais contato algum com os animais (alegando maus tratos), fazendo com que saia do topo da cadeia alimentar e perca todo e qualquer tipo de relação com os mesmos. Coisa que levamos milhares de anos para construir.

Respeito, mas entendo que essa ideologia é absurda e sem fundamento algum, pois além de não ser sustentável para o mundo que vivemos, vai totalmente contra a natureza.

A maioria desses indivíduos lutam por uma causa que pouco conhecem, pois não tem ideia de onde vem, e como é feito para produzir os alimentos que consomem.

A maior parte dessa gente é usada como massa de manobra de interesses de ONGs altamente lucrativas e personalidades querendo se promover com a causa.

Aí eu pergunto: Se não puder mais comer carne no mundo, os leões, tigres, tubarões, crocodilos e todos os outros animais carnívoros devem ser extintos? Porque os bichos abatidos por eles sentem ao morrerem?

Se não puder mais criar animais para o consumo humano e para lazer organizado, pra onde irá todo esse rebanho?

Acham que os cavalinhos, boizinhos, cabritinhos, porquinhos e afins vão continuar nos criatórios somente para serem observados?

Será que eles tem ideia de quanto mais de terra será necessário para a produção de vegetais?

Será que eles tem ideia que muito mais que produzir carne, pra produzir alimentos, cereais e vegetais milhares de seres vivos como peixes, passarinhos, insetos e tantos outros são mortos com inseticidas e pesticidas?

Será que os vegetais não sentem dor também, pois o aço que é usado com os animais no abate é o mesmo que cortam os vegetais na colheita?

Será que eles tem ideia que para produzir cereais e vegetais precisam de muitos insumos produzidos pelos animais como os fertilizantes, defensivos e vários outros itens?

Será que eles tem ideia que se um cavalo não puder mais ser montado, um cachorro também não pode mais ser criado como animal de estimação, afinal, a lei é pra todos. Não é?

Eu sou produtor rural, além de produzir carne e cereais, tenho meus animais de trabalho e lazer e os trato com maior carinho e respeito.

Eu amo meus animais e dedico a minha vida à eles, e às plantações, respeitando ao máximo a natureza.

O que eu acho dessa polêmica criada pelos pseudos-protetores animais?

Vejo que tem muita coisa por trás de tudo isso, muita gente mal informada sendo usada por pessoas com segundas intenções, políticos atrás de votos, anônimos querendo se promover, cantores frustrados e artistas esquecidos atrás dos holofotes.

O pior? Muita gente ganhando dinheiro as custas dessa causa medíocre e hipócrita, que não tem como objetivo principal, a real proteção dos animais.

Autoria: Leandro Baldissera



Semana que vem tem mais, serão selecionadas cinco pessoas influentes para opinar e defender essa causa. Tudo na base do argumento. Boa semana a todos!!

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